Há uma música que não me sai do ouvido, hoje. Na verdade não se chama hoje, ontem é a sua graça, porque é passado, porque pertence àquelas memórias que estão entaladas no fundo do roupeiro desarrumado que é hoje o meu pensamento, que ontem era a realidade e que hoje não faz sentido mas continua a deixar saudade. O sorriso aparece mesmo assim, porque a ironia deixou o seu odor no ar. Para quem não queira mais se explicar está bem lixado que as explicações vieram pra ficar e vão ficar em voga para a eternidade em terra minha. É um destino, ou melhor, um karma com o qual casei antes mesmo de me conhecer; e agora que penso nisso, volta o sorriso enviesado que ainda não me conheço.
Mas a música que boia em mim, que me toma os ouvidos e a visão e me carrega para outra dimensão é a mesma que me encantou durante um ano e uns miseros dias, não é coisa boa de ser ouvida, e por isso mesmo não quero voltar a ouvi-la, mas se não a voltar a ouvir continuarei a tê-la na cabeça, então qual a solução? Volta o sorriso a estes lábios secos que fazer beicinho e não triunfam. Que vou eu fazer se a mim me parece que a minha própria mente me pregou uma partida para nunca me deixar ter certezas de nada e viver constantemente a namorar o Sr. Impasse que se contradiz a cada duas palavras?